“Sentado assim nesta janela dá pra ver o mundo (...)”. Daqui o coração não pára... é impossível parar. Esta janela não é virtual? É real? Virtual é a idéia, é a ilusão. Essa janela me dá o tempo real, me mostra o mundo maior do que é, maior do que era pra ser. Parece que Deus me fez com visão limitada, e determinou saudável aquilo que está a frente do meu nariz, nem mais nem menos. Mas dessa janela se vê um mundo no qual não existo. São dois parâmetros de existência que nunca coexistiram senão em ideologia, mas agora existe, e é real. Existem agora dois mundos: o que eu habito, que eu construo, que me cerca, que domino, e o outro sob o qual não tenho alcance algum. Odeio essa janela, porque ela é o centro do mundo, e não eu. Mas reclamar de que, se isso tira das minhas costas o peso do mundo, e o fixa em megabites, downloads e pixels? Não é loucura, o mundo não é meu e agora eu sei... era tudo tão lindo e romântico quando tudo era eu, tudo era nós... mas agora não. O que fazer então? Daqui meu coração não pára, porque daqui não tenho coração. Sou realidade virtual. Uma janelinha de comentários... sem aspas, o que digo tem outro parâmetro. Uma coisa é o que digo olhando nos olhos, mas daqui a timidez não atua, porque não há olhos cobrando a verdade, ou medindo a verdade. Talvez a timidez tenha a ver com o coração, e inexistindo um inexiste o outro. Devo supor, assim, que não há amor também... se o amor existe no coração, e o coração não existe nesta janela, este mundo que enxergo encontra-se descompassado com a idéia de amor. Por outro lado está janela que me aproxima do mundo outrora inexistente, me dá acesso a tudo que antes amava e que agora torna-se frio e insuperável. Pra que vida então? Talvez, quanto mais próximos estamos da verdade, mais distantes estamos do amor. É isso? Pra isso que evoluímos? Buscamos impassíveis a aproximação, mas como desculpa, já que, de fato, queremos é a distancia do sofrimento chamado amor? Quanto mais aqui dentro, menos lá fora. Mas, se livrar disto é impossível... uma vez vivendo sem coração, jamais se volta a viver com ele. E logo, desconexa será a realidade externa. A realidade passa a ser a janela! Não criamos apenas um mundo sem dor, criamos um mundo sem coração. Uma virtual Ilha de Lotófagos, em que habitamos... da flor de lótus que nos entorpece. “Sentado assim nesta janela dá pra ver o mundo... o mundo que já não existe. O que terá para ver depois?”
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